Entre os programas nos quais os personagens principais têm
mediunidade ou o que outras pessoas preferem chamar de
paranormalidade, há aqueles nos quais se declara abertamente que
esse dom tem um componente genético. Ou seja: é passado de geração
em geração.
No item 159 de O Livro dos Médiuns, Kardec define mediunidade como a
capacidade de sentir a influência dos espíritos, em graus variados
e são
diferenciados de acordo com a intensidade com
que sentem essa influência e de que forma ajudam os espíritos a se
manifestarem. E no Evangelho Segundo o Espiritismo, declara que a
mediunidade não diferencia os bons dos maus e que esse dom “depende
da estrutura orgânica, que cada homem pode ter, assim como as
capacidades de ver, ouvir e falar” (cap. 24, item 12).
Os
seriados que tive oportunidade de assistir e que demonstram essa
característica abordada por Kardec como uma característica orgânica
são Eli Stone, Medium, Ghost Whisperer e O Vidente.
Eli Stone é um advogado que, devido a um aneurisma cerebral, começa
a ter alucinações que o levam a aceitar casos em que defende
pessoas que precisam de sua ajuda, como uma aluna expulsa por
protestar contra o programa de “educação sexual” oferecido em
sua escola. No decorrer da primeira temporada, ele descobre que seu
pai, a quem considerava um alcóolatra, na verdade também tinha o
mesmo aneurisma que causava estas visões.
Medium, estrelado por Patricia Arquette, conta a história de Allison
Dubois, uma estudante de direito que, devido à sua mediunidade,
resolve se demitir de seu estágio na promotoria da cidade de
Phoenix, no Arizona, mas acaba voltando como consultora, ajudando-os
a resolver casos de assassinato. Descobrimos na primeira temporada
que ela tem um irmão veterano de guerra que está sendo assombrado
pelo seu sargento. Ao longo do episódio, Allison descobre que seu
irmão também tem a mesma capacidade que ela e o ajuda a aceitar seu
dom. Também descobrimos ao longo do seriado que suas duas filhas
mais velhas também têm a mesma capacidade de se comunicar com os
espíritos nos sonhos e se relacionar com eles acordadas.
Em Ghost Whisperer, Melinda Gordon (Jenniffer Love Hewitt) descobre
ser de uma linhagem de pessoas capazes de se comunicar com os
espíritos presos à Terra. A princípio, ela sabe que tanto ela
quanto sua avó materna tem essa capacidade. Ao longo do seriado, ela
descobre que sua mãe, seu pai biológico, um irmão que desconhecia
e uma ancestral do século 19 tinham a mesma capacidade. E na última
temporada, temos a oportunidade de conhecer seu filho Aiden, que tem
a capacidade de conversar com os espíritos superiores, ou, de acordo
com a ótica do programa, aqueles que já fizeram a passagem para a
luz.
Por fim, na última temporada de O Vidente, descobrimos que o filho
de John Smith, JJ, também é bastante intuitivo. Johnny, de acordo
com o seriado, levou uma pancada na cabeça ao cair no gelo e a
partir daí se tornou uma pessoas mais intuitiva. Ele passou a ter
visões quando tocava objetos e pessoas muito mais nítidas após
sofrer um trauma mais severo em um acidente de carro. E ele também
descobre que seu pai, ao contrário do que imaginava, também tinha
essa capacidade e estava sendo manipulado por Greg Stillson.
Podemos fazer um paralelo com a história do Espiritismo. Em primeiro
lugar, podemos lembrar das irmãs Fox, que desvendaram o assassinato
de um caixeiro viajante em Hydesville. Também temos as irmãs
Caroline e Julie Boudin, que ajudaram Kardec na codificação da
Doutrina, os irmãos Davenport, citados na Revista Espírita. No
Brasil, temos o caso da família Gasparetto. E se você frequenta um
Centro Espírita, pode conhecer famílias cujos membros são médiuns,
ou talvez até faça parte deste grupo.
O projeto Genoma levou anos para mapear o DNA humano. Mas certamente
não encontrou nenhum gene responsável pela capacidade mediúnica,
até porque provavelmente não estava em busca disso. Até que ela
possa ser considerada algo normal, inerente à condição humana,
fora dos círculos onde é aceita, seja sob a ótica espiritualista
ou materialista, não se encontrará tal gene.
Nenhum comentário:
Postar um comentário