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domingo, 17 de novembro de 2013

O poder do perdão


Danielle Santino é uma terapeuta que descobre que seu marido a trai com várias mulheres. Devido a isso, ela pede o divórcio e tem seu estilo de vida comprometido pelo processo, devido ao cancelamento da conta corrente e dos cartões crédito.

Para sustentar a ela e seus dois filhos, ela precisa aumentar a clientela. Numa noite em que sai com sua melhor amiga, conhece o técnico assistente Matthew Donnally, do time de futebol americano Hawkes. Após uma sessão bem-sucedida de hipnose para parar de fumar, ele sugere seu nome para o técnico, a fim de fazer com que o quaterback Terence TK King consiga receber as bolas, que tem deixado escapar desde que foi contratado pelo time. Esse é o episódio piloto de Necessary Roughness, no qual a personagem começa a atender celebridades por acaso e torna isso seu ganha-pão após o divórcio. 
Essa é a premissa do seriado Necessary Roughness.

Há um mal entendido inicial e choques entre a terapeuta e seu paciente, assim como dela com o técnico. Após uma sessão especialmente tensa, TK desaparece. Ele é encontrado em uma boate de strip-tease em Atlantic City, para onde a doutora é levada às 4 da manhã. Após ela conseguir entrar, eles conversam sobre o divórcio dela e o quanto isso a deixa com raiva.

Então, o jogador faz a pergunta central do episódio: “Como alguém deixa de ter tanta raiva”. Após um momento de reflexão, a dra. Dani responde com uma única palavra: “perdoando”.

Terence cresceu com um histórico de abuso e abandono, sendo o ápice dele a morte da mãe por overdose e a transferência para um orfanato. Apesar de não sair com ela, ele reflete sobre o assunto e pede-lhe para visitar o túmulo da mãe.

Chega a noite do jogo, e a torcida não tem boas expectativas em relação a TK. Exceto a terapeuta e seus filhos. O jogador entra em campo, ele consegue receber o primeiro passe e marcar o ponto.

Há dois mil anos, Jesus disse “perdoa setenta vezes sete” a Pedro. E essa é uma lição que muitos de nós nem temos interesse em como aprender e aplicar em nossas vidas. Durante séculos após o advento do Cristianismo e da aceitação dos poderosos à religião, o orgulho, disfarçado de honra, foi exaltado, gerando os duelos, os conflitos coletivos, os suicídios.

O perdão, apesar de estar no Novo Testamento, foi considerado um gesto de fraqueza. Durante muito tempo, o conflito foi causado pelo estar certo ou estar errado, e o diferente era visto como o errado. Hoje, o respeito ao próximo está se difundindo cada vez mais, o que significa uma reação cada vez mais barulhenta do pensamento conservador, mas um tipo de barulho que cada vez mais incomoda em vez de fazer as pessoas refletirem



No Livro dos Espíritos, na questão 918, são citadas as características do verdadeiro homem de bem. O antepenúltimo parágrafo fala sobre a indulgência sobre as fraquezas (defeitos) dos outros. E o seu complemento é o parágrafo seguinte:
“Não é vingativo: a exemplo de Jesus, perdoa as ofensas para não se lembrar senão dos benefícios, porque sabe que lhe será perdoado assim como tiver perdoado” (tradução de José Herculano Pires, Editora EME, 1996).
Tudo bem para as faltas leves, pode pensar o leitor; mas e para os casos mais graves, como um assassinato de um ente querido ou o seu próprio? O mais famoso caso de perdão aos assassinos está no próprio Evangelho, de Jesus aos seus assassinos e à multidão que aplaudia sua crucificação, com a frase “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Muitos de nós não nos sentimos capazes de tal gesto, e há pais que declaram que “matariam quem fizesse mal a seus filhos”, tendo em geral a concordância de seus ouvintes.
Gandhi, por outro lado, declarou que nunca teve necessidade de perdoar porque nunca se sentiu ofendido. Quantos de nós podemos dizer o mesmo?
Estudos demonstram que sentimentos negativos como a tristeza e a raiva, se cultivados por um tempo prolongado, podem levar a doenças como a depressão, a hipertensão e até mesmo o câncer. Então  de que servem o ressentimento e a mágoa que cultivamos ao nos sentirmos ofendidos?
Desde que Jesus nos fez o apelo ao perdão, o ser humano tem ampliado seu entendimento sobre essa valiosa ferramenta de nossa evolução espiritual. Hoje, os mais esclarecidos entendem que perdoar não é só uma opção; é uma necessidade caso queiramos ter uma vida plena e feliz.