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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Um Messias contemporâneo?


Como comentei em meu texto na coluna sobre cinema e Espiritismo, e o próprio diretor do filme estrelado por Christopher Reeve (Richard Donner), a trajetória do Super Homem (criado em 1938) tem paralelos com a de Jesus.
Em 2001, a Warner Bros fez uma releitura desse personagem através do seriado Smallville, tendo o quase desconhecido (na época) Tom Welling à frente do elenco. De menino com características incomuns ao super-herói que não só defenderá as pessoas, como será um exemplo para elas, o programa levou dez temporadas para mostrar essa evolução.
O seriado mostra, além da evolução dos poderes do herói, sua educação e evolução como pessoa, e das pessoas ao seu redor, para o bem ou para o mal.

Livre arbítrio

Em várias ocasiões, Clark teve que tomar decisões de acordo com o contexto. Nem sempre foram acertadas e geraram consequências desastrosas para as pessoas ao seu redor, como o aborto sofrido pela sua mãe após ele destruir sua nave. Mas também o levaram a construir um código de ética que incluía “não matar” (as mortes nos episódios foram sempre em consequência dos atos de seus adversários, e não ação direta dele, apesar dele ter chegado perto disso algumas vezes). Isso se vê facilmente nas exortações que seus companheiros fizeram para matar Lex Luthor, e que ele recusou, mesmo após saber que ele seria seu maior inimigo, e também no episódio Legião, no qual a equipe do futuro sugere que ele tenha que matar o hospedeiro de Brainiac (Chloe Sullivan, interpretada por Allison Mack).

Educação

Jonathan e Martha Kent (John Schneider e  são pais amorosos que fizeram de tudo para que ele não fosse descoberto antes que estivesse pronto para o mundo. Isso pode ser muito relativo, pois há muitos pais que podem agir  dessa maneira, ter um filho comum e torná-lo dependente pelo resto da vida, se esta for sua inclinação.
Devido aos poderes do futuro Super Homem, eles contrabalançam esse instinto protetor com uma sólida orientação moral que no entanto não o impede de cometer erros, como se vê ao longo do seriado. O pai sempre lembra a Clark que “atos têm consequências” e, portanto, a se responsabilizar por eles. Essa conduta lembra o lema do Homem Aranha – com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. Uma lição que muitos pais não dão aos seus filhos atualmente.

Reforma íntima

Descobrimos, entre a 9a e a 10a temporada, que há um teste final e um inimigo formidável a ser combatido, e que Clark, conhecido também como o “Herói Misterioso” poderia ser o guia para um novo mundo, ou seu pior flagelo. Por quê?
Ao longo da última temporada, descobrimos que o inimigo se chama Darkside (Lado Sombrio) e seus asseclas, quem fazem brotar o que temos de pior. (Alguém pensou em obsessão? ;-) e nosso herói terá que combater não apenas a eles, mas ao seu próprio lado sombrio, coisa que Lex Luthor não conseguiu, acabando por sucumbir a ele.

Contato com a espiritualidade

A partir do momento em que conhece sua origem e constrói a Fortaleza da Solidão, Clark tem um contato mais direto com seu pai biológico, Jor-El (Terence Stamp, que, paradoxalmente interpretou Zod, o inimigo da família El em Superman II). Apesar de ser comparado a um software interativo, podemos puxar a sardinha para a interpretação espírita e compará-lo a um guia espiritual. Ele procura orientá-lo da melhor maneira possível, às vezes de maneira autoritária, às vezes tirando seus poderes (já ouviram falar em suspensão da mediunidade?) ou ficando em silêncio (quando uma pessoa não está disposta a ouvir os conselhos do Alto e os espíritos superiores se afastam).
Após a morte do pai adotivo, ele entra em cena também como um de seus guias, em especial em episódios nos quais o herói passa por experiências de quase-morte.
Além disso, há um episódio na 4a temporada no qual uma aluna do Colégio Smallville sofre um acidente e seu espírito passa a possuir os corpos das pessoas com as quais têm contato. Seu grande objetivo é se tornar a rainha do baile. Ao longo do episódio, ela descobre o que falam pelas suas costas e ataca seus ex-amigos. Após possuir a rainha eleita (Chloe) e tentar fazer uma auto homenagem, ela tenta incendiar a escola.
Na sétima e na 10a temporadas o seriado retoma o tema da possessão. Na primeira, com a fuga dos prisioneiros da Zona Fantasma e na segunda, como foi dito, com os cúmplices de Darkseid. O interessante é que até mesmo um dos aliados do futuro Super Homem, o Arqueiro Verde, é afetado e recebe a marca ômega, devido a suas falhas de caráter.
Se observarmos o capítulo sobre obsessão no Livro dos Médiuns, verificaremos casos de pessoas aparentemente ou de fato boas que são acossadas pelos espíritos, justamente  devido a esses vícios que muitas vezes escondemos no fundo de nossas almas e das pessoas mais próximas a nós.

Reencontro decisivo

Já vimos que a relação Clark/Lex se deteriorou a tal ponto que, de amigos, eles se tornaram inimigos mortais. Mas e se antigos inimigos tornarem-se amigos, aliados, ou apenas pessoas gratas pela oportunidade de mudar de vida graças à sua intervenção?
Vemos isso quando, na 10a temporada, Clark vai ao encontro de formando de sua turma em Smallville. Lá, ele relembra várias situações pelas quais passou desde o início da série e tem um vislumbre do seu futuro na companhia de um Brainiac repaginado, vindo do século 25 após ser consertado pela Legião. E temos um ex-colega da escola, infectado, o “Garoto- Inseto” (obcecado por Lana Lang, quase a mata).
A primeira reação de Clark, ao vê-lo, é de tentar atacá-lo, achando que ele ainda representa uma ameaça. Brainiac 5, no entanto, o detém e o faz ouvir a conversa entre o ex-inimigo e Lois.

Conclusão
Não é só o Homem de Aço que passa por situações como essas. Todos nós fazemos nossas escolhas, certas ou erradas. Magoamos, somos magoados, nos afastamos e nos aproximamos das pessoas de quem gostamos ou gostávamos. Somos resultados não só da educação que recebemos nesta encarnação, mas de nossa bagagem espiritual. E estamos abertos às influências espirituais, boas ou más.
Também vemos o quanto nossas atitudes podem influenciar as pessoas ao nosso redor, mesmo que a princípio as vejamos como adversários. Para refletir sobre esse ponto, recomendo assistir um filme chamado “A Felicidade não se Compra”, do diretor Frank Capra.

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